DIA MUNDIAL DO PROFESSOR

Qualquer sociedade que aposte no capital humano, como mola fundamental para o seu desenvolvimento, não pode ignorar os seus Educadores e Professores e muito menos hostiliza-los, apoucando a relevância social da função docente.

Os Professores não merecem ser vítimas da demagogia fácil de quem utiliza como arma de arremesso a relação entre o investimento público na área da Educação e os resultados escolares obtidos, quer em termos absolutos, quer em termos relativos quando comparados com outros países europeus.

A manipulação dos números tem sido recurso frequente de responsáveis pela tutela da Educação para objectivar a campanha de destruição da dignidade e imagem pública dos docentes, esquecendo-se de que, apesar do acrescido esforço de investimento nos últimos anos, a Educação não constitui a prioridade das prioridades uma vez que, em matéria de gastos públicos, o Ministério da Educação não se situa no pelotão da frente, ficando atrás de outros como o da Saúde, Administração Interna, Defesa e Justiça.

Portugal , no plano económico e sócio-cultural, está ainda  muito aquém da maioria dos países europeus que, apesar do seu desenvolvimento, continuam a investir na Educação mais do que nós que gastamos, em média, 4.400 euros por aluno, enquanto a média dos países da OCDE é de 5.500 euros, para não falar dos Estado Unidos cujo investimento ultrapassa os 9.000 euros.

A escola e os resultados escolares não podem dissociar-se do desenvolvimento das sociedades, da mentalidade, cultura e estilo de vida das populações. Basta, para tal, tomarmos como referência a nossa Região que, tendo cerca de 20.000 pessoas a viver do Rendimento Social de Inserção, ou seja, aproximadamente 10% da sua população, jamais pode subestimar este factor como determinante e altamente condicionador da evolução do processo educativo, por mais esforçados ou dedicados que possam ser os Educadores e Professores que trabalham nesta Região.

Não se compreende, por isso, a atitude do Ministério da Educação ao pretender demitir-se das suas responsabilidades, transferindo, essencialmente, para os professores o ónus do insucesso e do abandono escolar que afecta elevada percentagem das crianças e jovens deste país. Estas debilidades são, em parte, resultantes de uma estrutura social que emana das opções e orientações políticas dos sucessivos Governos. Persistir no ataque aos Professores, fomentando o desrespeito e o desprestigio da classe só contribui para agravar, ainda mais, a ?crise de autoridade? com que se debatem muitos docentes nas suas relações com os alunos e com a Comunidade, tornando mais difícil e desmotivador o exercício da profissão, com repercussões óbvias na qualidade da educação e do ensino.

Ponta Delgada, 4 de Outubro de 2006