O advento do sindicalismo está associado de forma indelével ao capitalismo industrial. Durante o século XIX e o início do século XX, assiste-se na Europa, nos EUA e no Japão a uma crescente urbanização e proletarização das populações. O valor da mão-de-obra era desprezível no conjunto dos custos de produção e o trabalho fabril assumia formas claras de nova escravatura.
 
É neste contexto social que nasce e se desenvolve o movimento sindical, alimentado por homens e mulheres de espírito abnegado, solidário e lutador e que, em alguns casos, deram a sua própria vida em prol da condição humana. Esta alma do sindicalismo, ainda hoje, alimenta esta actividade de forma transversal e constitui um pilar do funcionamento dos sindicatos.
A globalização da economia, iniciada na década de 80 do século passado, levou à deslocalização do sector produtivo da maioria das multinacionais para economias emergentes, movidas pela procura da redução dos custos de produção, geralmente apoiada na desvalorização da mão-de-obra.
É neste contexto de globalização económica que os trabalhadores dos países desenvolvidos têm perdido direitos adquiridos no âmbito da protecção social, através da desregulamentação do trabalho e do valor intrínseco da mão-de-obra. Paulatinamente, os sindicatos têm sofrido constrangimentos à sua actividade, através das limitações dos créditos sindicais, das campanhas de descredibilização realizadas pelos órgãos de comunicação social ou, ainda, através de legislação laboral que privilegia a contratação individual e os acordos de empresa, em detrimento da contratação colectiva.
Na actual conjuntura, a actividade sindical realiza-se num cenário extremamente adverso, em que, frequentemente, os dirigentes são discriminados nos seus direitos profissionais, exercem a sua actividade também durante os períodos de descanso, como se verifica na próxima reunião de direcção (amanhã), mas que tem sido a tónica dos últimos seis anos, por força da limitação de créditos sindicais de que foi alvo o Sindicato dos Professores da Região Açores nos últimos anos.
 
É perante estas adversidades que os dirigentes sindicais exercem a sua actividade, geralmente, com sacrifício pessoal, com espírito solidário e tendo como horizonte a defesa da justiça social e, em particular, no caso do SPRA, a defesa da classe docente.

A inauguração da actual sede da Área Sindical do Pico constitui um sinal de perseverança e dinamismo, mas também, um sinal de esperança e optimismo que contrariam o ambiente marcadamente hostil que o sindicalismo e os direitos dos trabalhadores enfrentam actualmente.

À Direcção da Área Sindical do Pico e, especialmente, ao António Dutra, Coordenador desta Área Sindical, em meu nome pessoal e da Direcção SPRA, desejo as maiores felicidades e um grande bem hajam.

Viva a Área Sindical do Pico!

Viva o SPRA!

Madalena do Pico, 16 de Outubro de 2009

António Lucas

Presidente do SPRA