Área sindical do Faial

Este encontro de professores no Faial com os colegas Mário Nogueira e Abel Macedo tem uma dupla finalidade:

- Em primeiro lugar, reflectir sobre questões de política educativa, neste tempo  paradoxal: por um lado exige-se `a escola que forme cidadãos  autónomos, adaptados `a mudança e qualificados para competir, a nível europeu, com um conjunto de países, com níveis elevados de formação e, por outro lado, não nos criam condições objectivas para diminuir as elevadas taxas de abandono escolar nem a exclusão social;

- Em 2º lugar, porque se comemora o 25º aniversario do SPRA e a melhor maneira de o comemorar e´ através do encontro, do dialogo e da partilha de ideias.

- Estes 25 anos são marcados pelo labor sindical e pelo esforço de valorização do trabalho dos docentes, numa   Região insular e periférica., esforçando-se o SPRA, desde sempre, em  dignificar a profissão docente e criar condições para a integração dos professores .

- Orientando a sua acção concreta pela defesa dos valores e princípios que constam na Constituição, nomeadamente o direito `a educação e ao ensino, como direito fundamental, consideramos que o SPRA, ao longo destes 25 anos, muito contribuiu não só  para a defesa da melhoria das condições sócio-económicas da classe, mas fundamentalmente para a construção dos ideais da democracia e da liberdade.

- Hoje, há mudanças profundas na sociedade e os modelos de desenvolvimento económico e social deste inicio do século XXI exigem que se repense a educação e o Sistema Educativo, para alargar o acesso e o sucesso escolar e para melhorar a eficácia do mesmo.

- É neste contexto que o Governo se propõe alterar a Lei de Bases do Sistema Educativo. A revisão comporta riscos e possui virtualidades. E´ por isso importante o dialogo aberto, esclarecido, a partilha de informações, o debate e a reflexão sobre as políticas educativas, a fim de nos assegurarmos que a educação rege-se por valores que não se submetam `as regras do mercantilismo nem `a escravatura  dos mecanismos da produção e do consumo.

- Os tempos que atravessamos são complexos. Colocam-se muitos desafios `a sociedade portuguesa e `as escolas no sentido de encontrarem soluções de mudança, para se ultrapassar o atraso estrutural do pais  e promover o desenvolvimento no contexto europeu.

- Mas se a mudança se impõe como necessária, necessário  e´ que estejamos atentos e participemos de uma forma activa e critica na vida publica.

- O passado recente na Região Autónoma dos Açores demonstrou, em concreto, que os docentes se devem implicar, e ter consciência de que o alheamento não e´ a resposta adequada em Educação!

- Quem já  se esqueceu  dos sucessivos pedidos de  verificação da inconstitucionalidade do Regulamento dos Concursos dos Professores, das decisões do Tribunal  Constitucional sobre o assunto  e das situações de desigualdade e de injustiça relativa, criados com a  sua aplicação ?

- Quem não se lembra da perseguição realizada pelo Ministério Publico, a pedido do Secretario,  aos docentes da ilha das Flores, mediatizada  até ao limite,  denegrindo, junto da opinião publica, o trabalho dos professores ?

- Quem não tem presente a descredibilização publica dos sindicatos pelo Secretario da Educação, em campanhas altamente mediatizadas ?

- É evidente que, enquanto cidadãos e profissionais, os professores merecem ser respeitados, a começar pela classe política.

- É evidente que o respeito e´ um ganho e uma conquista de Autoridade afirmada, não só pela qualidade do trabalho que cada um de nós realiza, em concreto, nas escolas, mas também pela consciência colectiva, pela participação nas instituições, pela capacidade em apresentar argumentos sólidos, face ao PODER.

                A Área Sindical da Horta do SPRA